Terceiro Setor e o designer
Segundo o site Setor3 (http://www.setor3.com.br), nos últimos anos este setor aumentou de maneira impressionante no Brasil, hoje com mais de 250 mil ONG’s que movimentam cerca de R$ 12 bilhões/ano, provenientes de prestação de serviços, comércio de produtos e doações. Isto representa 1,2% do PIB brasileiro e demonstra enorme potencial de crescimento. Em alguns países da Europa e nos EUA, este setor movimenta até 6% do PIB.
Este setor é composto na sua maioria por voluntários, mas também contrata profissionais das mais diversas áreas. Este crescimento promove também uma procura maior em mão de obra especializada, que tenha experiência em serviço voluntário… hmm… ótimo, e nós temos essa cultura de voluntariado dentro do design? Estamos qualificados para esse mercado?
Somente há pouco tempo vi ações maiores na nossa profissão, sendo que grande parte delas fora do Brasil. Alguns sites exemplificam melhor isto: Design 21 (http://www.design21sdn.com/) e Social Design Site (http://www.socialdesignsite.com). O primeiro é em parceria com setor de cultura da UNESCO e tem como objetivo promover o ativismo social dentro do design. O Design 21 funciona como uma rede que une pessoas comprometidas em projetar com impacto positivo na sociedade e promover mudanças de fato (vejam este exemplo de projeto: http://www.design21sdn.com/feature/1656). O site Social Design, sob o lema “we cannot not change the world”, foi criado para facilitar a discussão sobre o tema e criar uma plataforma única entre os interessados. Aqui no Brasil ainda acontece de forma isolada e com pouca divulgação entre os profissionais.
Dentro do âmbito acadêmico existe uma movimentação maior, grande parte em torno do design sustentável, onde um dos pilares é o design social. Mas até mesmo literatura sobre design sustentável não possui aprofundamento sobre o design social, apesar da sua importância.
A pouco tempo decidi escrever este texto com o objetivo de promover no blog a discussão em torno do papel social do designer. Afinal, qual é o nosso papel social? Na minha opinião, papel social vai além das funções de um profissional de mercado, ou seja, a parte filosófica do design, a parte ‘bonita’. Em uma mesa de discussão da Megafônica 2008, evento estudantil que aconteceu na UFPR e reuniu interessados de diversas instituições, com o tema Design e Sociedade, ficou claro que os estudantes (até mesmo os interessados e comprometidos) não sabem ao certo qual a sua função dentro da sociedade e como podem contribuir para melhorar suas dificuldades. Assim se torna difícil a atuação dos designers como voluntários neste setor que tende a captar cada vez mais profissionais qualificados.
Deixo aqui alguns sites que possuem maiores informações:
http://www.filantropia.org/
http://www.setor3.com.br
http://www.rits.org.br/
http://www.ideiasocial.org.br
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Apesar de sempre ficar com o pé atrás, porque embora sejam supostamente “sem fins lucrativos” grande parte não passa de faxada para lavagem de dinheiro e coisas do tipo. Só faria um trabalho voluntário se tivesse um ótimo motivo.
De qualquer maneira, penso que essa idéia de design social já foi a muito iniciada… Que o diga William Morris! E a seguir Gropius, ou Bill, ou Maldonado, e tantos outros… Conhecer sobre o papel do designer na sociedade em geral se faz ao se estudar de forma bem feita a história do design. Há, claro, que se contemporanizar o problema. O design hoje se mostra “socializável”? De que forma?
Há algum tempo no supermercado, passei pela sessão de objetos de cozinha, e fiquei espantado com tamanho acúmulo de coisas horripilantes… Criar bons projetos para a dita “classe baixa” não seria algo de design social? Mesmo que como incentivo inicial se forneçam às pequenas indústrias projetos mais baratos, não é um diálogo inexistente que começaria?
Que acham?
Concordo plenamente Eduardo, a idéia de design social já foi a muito tempo iniciada. O que busquei expor aqui é sim o tema mais contemporâneo e relacionado ao trabalho direcionado em prol da sociedade sem buscar o lucro. Hoje não vejo que o design seja ’socializável’ a ponto de se inserir nesse setor cada vez maior e mais atuante. É claro que existem pessoas aplicando seu conhecimento adquirido dentro do design e realizando grandes projetos, mas muito pouco comparada com outras classes de profissionais.
Como você expôs muito bem, tratar projetos destinados a dita “classe baixa” com um maior cuidado e atendendo a real necessidade deles já é um ótimo começo. Apesar do estigma de que projeto social é destinado à dita “classe baixa” (o que não é verdade), existe muitas oportunidades de atuação do designer em projetos sociais nas mais diversas classes socioeconômicas. A realização profissional que se obtém com isso é algo muito bom, porque não ajudar?
Um modo diferente de o ver, penso, seria algo como o design para o homem. Sendo o homem um ser sociável, o design voltado ao homem é um design social (lógica barata…). Por que vale ressaltar isso? Porque existem muitos projetos, mesmo gráficos, que são o design pelo design (em post passado já citei os brothers campana… mas deixa eles pra lá…). Mesmo os já citados produtos do supermercado são meio que isso. Um tipo de streamline tropical, com cores duvidosas, bem como seus materiais. Eu particularmente acho fraco. O verdadeiro design social acredito que levaria em conta o homem mais que o objeto. E, como também já coloquei em post passado, ser vendido pelo preço coerente. Acho que esse é um dos principais fatores para a existência efetiva de um design social.
Como estudante de design, noto que o assunto é além de relevante, extremamente repetitivo nas faculdades, e por hora, somente por lá; a idéia de se criar projetos com custo acessivél para pessoas com poder aquisitivo baixo, e ainda assim manter qualidade e beleza, me soa como o antigo manifesto comunista de Marx, não pela essência, mas pela beleza ideológica, e a total dificuldade da pratica.
Já me peguei pensando algumas vezes, em como poderia incluir os excluidos no mundo que eu vivo, como eu poderia criar peças úteis, baratas e bonitas, se, não disponho dos recursos necessários, leia-se, dinheiro e maquinário basico, nem ajuda de empresas que atendem a este setor… As grande maioria das empresas parecem não estar nem um pouco interessadas em mudar isso, e eu como futuro designer, me vejo de mãos atadas, pois querendo ou não, são eles que financiam os projetos, e são eles quem podem vetar anos de estudo e dedicação, pondo a venda um produto de qualidade baixa, e preço ridiculamente inverso ao seu custo, destruindo logo de cara, ideais, ideias e concequentemente meu trabalho e diploma…
Sou a favor do voluntariado, mas infelizmente isso tem que partir de cada um né…lá na faculdade sempre tem cartazes de ongs e outras instituições sem fins lucrativos precisando de serviços de design, mas a oferta…