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Marina derrotada pelo PAC

A queda da ministra do Meio Ambiente gera protestos lá fora, mas aqui os empresários estão bastante animados com o sucessor, Carlos Minc

O DEFENDER SEM RESERVAS E SEM LImites a Amazônia, a ex-seringueira Marina Silva se distanciou de tal forma dos projetos do governo que, isolada, foi obrigada a pedir demissão. Sua saída do Ministério do Meio Ambiente carrega uma perda imensurável para a defesa ambiental na opinião de analistas internacionais. Mas, aqui, no Brasil real, empresários e pesquisadores não escondem a felicidade. Nem o presidente Lula lamentou o desfalque na equipe. “Se ela chegou à conclusão de que tem um ciclo que quer mudar, não sou eu que vou impedir”, disse o presidente. É claro que há um grande respeito pela biografia da senadora, que sofre com a contaminação de mercúrio pelas águas poluídas que bebeu na infância, passada “entre os povos da floresta”. A gestora Marina, contudo, deixou a desejar. Ela se afastou dos técnicos mais flexíveis e abriu um espaço para as organizações não-governamentais jamais visto no Ministério. Durante todo o primeiro mandato de Lula, fez o presidente refém de suas vontades, embaraçando processos importantes de infra-estrutura, como as licenças ambientais do rio Madeira. “A demora (das licenças ambientais) não era porque se queria emperrar as obras, mas porque queremos eficiência”, explicou a ex-ministra dias após a demissão. “Não dá para falar em desenvolvimento sem preservação dos ativos ambientais.”


Foto: SEVERINO SILVA/AG. O DIA
“Vamos aumentar o rigor e diminuir a burocracia “
CARLOS MINC, SUCESSOR DE MARINA

O excesso de preocupação, que para muitos analistas é má gestão, resultou em grandes prejuízos para o setor produtivo. Ao cumprir a ferro e fogo o Código Florestal Brasileiro, de 1965, Marina jogou os produtores na ilegalidade. No Tocantins, por exemplo, onde o governo federal financiou pelo Pro- Várzea a irrigação por inundação de 170 mil hectares para a plantação de soja, milho, arroz e melancia, o Meio Ambiente decretou a região Área de Proteção Permanente (APP). O mesmo artigo das APPs torna ilegais produções nas encostas e topos de morros e compromete 25% do café de Minas Gerais, 100% da maçã de Santa Catarina, as uvas da Serra Gaúcha, a fruticultura da Bacia do São Francisco e a pecuária no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. “Ela sempre se recusou a rever o Código Florestal, porque considera a legislação mais avançada do mundo”, reclama o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Assuero Doca Veronez Diante desse cenário, o principal desafio do sucessor de Marina, o ambientalista Carlos Minc, será reabrir o diálogo com o setor produtivo. Exguerrilheiro, Minc se encantou pelo Partido Verde alemão durante o exílio. De volta o Brasil, fundou o PV por aqui. Mas, em 1990, se elegeu deputado estadual pelo PT, do Rio de Janeiro. Atualmente no partido de Lula, Minc ocupava a Secretaria Estadual do Ambiente do Rio, onde ganhou a atenção do presidente por ser um ambientalista histórico, mas não ortodoxo, com traquejo político suficiente para transitar entre os ecoxiistas e fazer valer o plano de desenvolvimento do governo. Enquanto Marina se indispunha com a ministra Dilma Rousseff, Minc conseguiu destravar obras do PAC, ao reduzir a burocracia no processo ambiental. Um pedido de outorga pelo direito de uso da água, por exemplo, que levava três anos, caiu para três meses. De perfil afável e conciliador, Minc difundiu no Estado a idéia de que sua “filosofia é destravar o desenvolvimento”. Hesitou ao ser convidado pelo presidente Lula. Não sabe bem como sua experiência regional – os críticos o chamam de ambientalista de Ipanema – será aplicada na questão nacional. O que mais se espera de Minc, no entanto, não é uma política ambiental frouxa, mas possível. Para isso, ele tem todo o apoio da ministra Dilma Rousseff.

ADRIANA NICACIO

Extraído de: http://www.terra.com.br/istoedinheiro/

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