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It's not too hard, really.

eNcontros e desencontros

Não precisa ser muito observador pra notar que o Movimento estudantil de Design não oferece qualquer risco ao “Status Quo”. Qualquer membro de Centro Acadêmico que lê esse artigo sabe que, exceto por notáveis, o ME de Design ainda engatinha em suas relações com o “mundo externo”. Então não cabe aqui chutar cachorro morto, afinal, o assunto está banalizado e essa conversa se encerrá com alguma frase de consentimento e impotência: “é verdade, mas fazer o que? Sempre foi assim”.

Me formei, isso é um fato consumado pelo diploma que eu guardo na minha pasta de documentos.  Logo não deveria me envolver mais com assuntos estudantis, como N’s e CoNE. Sempre preguei que os formados saíssem do circuito estudantil pois aquele espaço não é deles, essa foi [e ainda é] minha bandeira, pois por mais óbvio que pareça, o Movimento Estudantil e suas realizações [vide N’s e etc] são voltadas para os estudantes, e os profissionais que busquem seus espaços. No entanto, me sinto no direito de, agora, sendo externo à categoria, poder fazer leituras do meu tempo naquele espaço. Como a lista do CoNE não se constitui mais um lugar para minhas opiniões, me valho da comunicação do mundo externo para conversar a respeito.

O debate sobre os motivos, desígnios, forma e missão do Conselho Nacional dos Estudantes de Design e do N Design é objeto das discussões desde antes da minha entrada no ME, em 2003. Mesmo entre reformas de estatuto e Ns e Rs, essa reflexão contínua como tópico. Mas é como se corresse em círculos, além de não se avançar o debate, no sentido de tangibilizar soluções, ainda se questiona superficialmente a conjuntura, em suma, não lêem o estatuto e não agem pra concretizar o que se questiona.

Claro! Devido à própria rotatividade dos estudantes e da falta de memória do Conselho, têm-se a retomada constante das velhas discussões. Eu ainda acrescento a imaturidade e as causas apresentadas em  A Folha que Sobrou do Caderno. Antes de atirarem pedras a respeito da “imaturidade”, eu pergunto: que outra palavra eu posso usar visto que a campanha de comunicação do maior evento da nossa categoria dá-se com o concurso do nome de um mascote?

Não se trata de discurso de candidato derrotado em eleições, mas de uma reflexão franca sobre os rumos de uma atividade de congregação de estudantes que foi parcialmente decidida pelos embalos das festas: Uma noite sou surpreendido por um grupo de estudantes de uma faculdade do Sul que pergunta que se eu levasse o N, eu proibiria as festas, visto que eu não ia para as daquele encontro. Realmente essa minha ausência nas baladas foi um peso e tanto no processo de decisão para a sede do próximo encontro.

Volta e meia encontro estudantes em congressos científicos que nunca foram a Encontros de Estudantes – “só tem putaria”- afirmam eles, e que por mais que eu insistisse sobre a pluralidade do evento, do “cada um é que faz seu Encontro”, era inútil argumentar contra as dezenas de colegas de classe que só falavam da colônia de férias mais divertida que já tinham ido. Culpados? Se existe algum crime, com certeza a culpa é tão bem distribuída que virou “situação” e não choca mais, ou não faz sentido algum lutar contra ela.

Maturidade não é a abolição das festas. Mas fazer esse evento parecer MENOS com uma sala da aula descrita pelo Ivens Fontoura, onde 35 dos 40 alunos estão lá pra baixarem o custo da educação de 5 que vão fazer algo de relevante pela sociedade. Já sabemos o nome do mascote, mas e o REUNI alguém já sabe o que é? E o caso da UNIRITTER? Ocupação de reitoria? Faculdades virando empresas de capital aberto? A eliminação da meia entrada? A regulamentação profissional? O fechamento do mestrado do SENAC -SP?

Berequetê.

 

Mauro Alex é recém-formado em Desenho Industrial pela UFBA, membro do coletivo Boana Estúdio.

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