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Após entregar o TCC, essa foi a primeira pergunta que me fizeram. O curioso não é a dicotomia entre a academia e a atuação como designer, mas o fato de parecer que “seguir vida academica” não seja trabalhar na área, ou mesmo trabalhar: quem aqui nunca leu algo como “este evento destina-se a estudantes, professores e profissionais”. Claro que isso se trata de uma mera convenção idiomática, mas é notável a distância que existe entre os mundos “academico” e de “mercado”.

No ultimo P&D entrevistei dois profissionais que transitam entrem os mundos e pode-se notar que o afastamento dá-se por diversos aspectos, como tempo e rentabilidade. Ok, óbvio. Na acadêmia o processo é menos dinâmico a exigência é mais teórica e não se ganha muito (em tese]. No mercado, não importa muito quem foi o autor base, tem que se fazer aquilo rápido e a gosto do tal cliente. 

Essa dicotomia se acentua com os tais “profissionais fracassados”. Aqueles que sempre quiseram trabalhar com “tal coisa” mas que no fim das contas, passaram no concurso, ou como não acharam nada melhor, viraram professor. Um ato de irresponsabilidade. Quase um crime, eu diria. Mesmo sendo muito bons em determinado oficio,isso não implica em um bom professor, pois o melhor escritor pode não ser o melhor professor de portugues. 

Claro, temos bons mestres profissionais, desses que tem escritório e conseguem estreitar um pouco mais as relações entre os universos. Porém, por vezes, ele deixará de ser um dos dois em detrimento do oficio que mais lhe agrada, ou mais lhe paga. A exemplo, tive um professor que desaparecia em época de eleição, seja inicio, meio ou fim de semestre.

Mais um fato que detona essa guerra é que não existe no Brasil um curso de LICENCIATURA em Design. Ou seja, todo professor de Design precisa cursar uma pós-graduação que tenha disciplinas em dar aulas no Ensino Superior. Isso explica por que alguns dos grandes nomes do Design brasileiro (e mundial] nunca poderão dar aulas, pelo simples fato de não saberem nem o que é pedagogia: possuem muito conteúdo e nenhuma didática.

Quem mais sofre com essa situação são os alunos de escola particular. Após o curso ser reconhecido pelo MEC, os empresários tratam de demitir todos os doutores, mestres e afins para contratar graduados que aceitam receber pouco pra dar aulas. Compromisso pedagógico custa muito, e custo é o que eles querem cortar.

Sempre existem as tais exceções: graduados que dão aula melhor que doutores, profissionais que conseguem aplicar pesquisa cinetífica em seus escritórios, doutores que pesquisam novas soluções de mercado. E isso não é raro. A exemplo o Ari Rocha que sempre defende a pesquisa alinhada com a realidade, com soluções tangíveis e aplicáveis, não essas imediatistas e reprodutivistas, mas aquelas que costumamos chamar de INOVAÇÃO.

 

Mauro Alex é formado em Desenho Industrial pela UFBA e não tem talento pra fazer escolhas.

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